Dicas e sugestões (valiosas) para gravação de voz

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Gravação de voz é a parte mais difícil do processo de gravação, e não apenas porque todos os vocalistas são divas (brincadeira!), a voz é o único instrumento que não vende na “loja” ou seja, cada cantor já nasce com o seu próprio instrumento que por isso mesmo é exclusivo. Também é o instrumento mais pessoal, para se apresentar diante de outras pessoas.

 

 
O ponto crucial e o mais importante para se saber sobre gravar vocais é: O desempenho do cantor faz toda a diferença. Você pode corrigir e afinar uma nota ruim na edição, mas por exemplo, não há nada que você possa fazer para transformar um desempenho nervoso em um confiante, portanto, não é o fim do mundo, se o cantor está um pouco fora da afinação, desde que ele tenha uma excelente interpretação.
 
“Tocar uma nota errada é insignificante, tocar sem paixão é indesculpável”. – Ludwig van Beethoven

 

 

Microfones

 
Ao procurar na internet “melhor microfone para voz”, você terá uma avalanche de opiniões. No final das contas, há apenas uma resposta – Depende apenas de quem você está gravando. Todo vocalista é diferente e cada música é diferente.
 
Um microfone que parece perfeito em uma música pode ser um lixo total em outra. A única maneira de saber qual é o melhor para sua situação no momento, é “plugar” todos os microfones em sua mesa de som e experimentá-los um por um. Com isso dito, existem algumas dicas que podemos seguir, que costumam funcionar na maioria das situações.

Microfone Dinâmico

Microfones de estúdio dinâmicos mais conhecidos: Shure SM57, Shure SM58.

Os microfones dinâmicos são ótimos para vocalistas com voz “forte” ou seja, bastante potência vocal. Esses mics, lidam com sons altos melhor do que qualquer outro microfone, então eles funcionam bem para gritos e explosões vocais que atacam o microfone. Eles também usam um padrão de captação cardióide, que oferece uma grande vantagem quando está gravando em salas que não tem um tratamento acústico adequado.

 
Microfones de estúdio dinâmicos mais conhecidos: Shure SM7, Shure SM57, Shure SM58, Electrovoice RE20, Sennheiser MD421

 

 

 

Microfone Condensador

Os microfones condensadores são bastante populares para gravar vocais. Eles são mais sensíveis do que microfones dinâmicos, portanto captam mais detalhes. Eles também tendem a soar mais brilhantes e mais equilibrados do que os microfones dinâmicos.
 
Este tipo de microfone também oferece diferentes padrões de captação, o que permite controlar a quantidade de ambiente capturado pelo mic. O padrão omnidirecional não tem cancelamento nenhum, e capta bastante o som da sala. Isso funciona bem para dar aquela “vibe” de gravação em espaços maiores. O padrão polar (esse é o nome para o tipo de captação) Cardióide oferece cancelamento na parte traseira do microfone e captura menos o som de sala. Isso funciona melhor para isolar os vocais.

 

NEUMANN TLM 103 –
Microfone de estúdio condensador.
Os microfones do tipo condensador precisam de “phanton power” para funcionar. O “phanton power” envia uma corrente elétrica de 48 volts para alimentar o microfone. A maioria dos pré-amplificadores e interfaces de gravação têm um botão “+ 48v” especificamente para alimentar os microfones do tipo condensador.
 
Microfones de estúdio Condensadores mais conhecidos: NEUMANN TLM 103 / U87 / KM184 / U47, AKG C414, Shure SM81, Rode NT1-A

 

 

 

 

 

 

Microfone de Fita (Ribbon)

beyerDynamic M 160: microfone de estúdio de Fita.

Os microfones da fita são “old-school”. Eles têm um som distintamente “vintage”, e muitas vezes são descritos como “quentes”. As frequências mais altas são suaves e os médios-graves são realmente agradáveis. Eles tendem a ser perfeitos para algumas aplicações, e não tão perfeitos para outras.

 
Microfones Ribbon também são incrivelmente frágeis. Deixá-los cair ou acidentalmente ativar o phanton power, pode literalmente destruí-los. Recentemente, a Royer Mics introduziu uma nova tecnologia de microfone de fita que os torna um pouco mais resistentes.
 
Microfones de estúdio de Fita mais conhecidos: beyerDynamic M 160, AEA R84 e Royer R-121
 

Posicionamento do Mic

Quanto mais perto o cantor ficar em relação ao microfone, mais isolado e “na sua cara”, vai soar. Há também um aumento nas frequências graves, isso é chamado de “efeito de proximidade”. Cuidado com esses graves, pois eles podem funcionar ou não.
 
Se usado corretamente, pode criar um som grande para seu vocal. Dependendo da situação, as vezes, esses graves precisam ser controlados. Se for esse o caso, use um filtro “HIGH PASS” (no microfone, no pré-amplificador ou na sua DAW).
 
Quanto mais longe o cantor ficar do microfone, mais o som da sala onde está gravando será captado. Isso pode ser ótimo para algumas gravações porém, a maioria das músicas atuais apresentam um vocal mais seco com menos som de sala (reverb).
 
Às vezes, os artistas gostam de ficar tão perto do microfone que seus lábios realmente o tocam. Isso não é muito bom – por uma série de razões. A saliva expelida é ruim para o microfone. Além disso, essa proximidade em relação a cápsula do microfone cria muitos ruídos indesejados.
 
Uma solução simples para isso é usar um “Pop Filter”. Anexe ao suporte do microfone e coloque-o a 4cm ou um pouco mais da cápsula. Isso permite que o artista fique o mais próximo do “Pop Filter” que quiser, sem danificar o microfone ou comprometer a gravação.
 
Mesmo com um filtro pop, se o cantor estiver muito perto do microfone você pode ouvir alguns sons “exPlosivos”. Sons explosivos, são sopros de ar atingindo o microfone que causam barulhos desagradáveis. As letras P e B são os piores infratores.
 

Fora do eixo

Se você ainda está tendo problemas com essas “explosões” vocais, depois de montar seu “Pop Filter”, tente inclinar o microfone fora do eixo. Off-Axis significa que você não está apontando o microfone diretamente para a fonte do som.
 
Basta levantar o microfone, ou baixá-lo em torno de 5cm, e incliná-lo 45 °. Isso permite que o microfone capte o som do vocalista e evita o sopro, esse fluxo de ar das letras explosivas, diretamente para dentro da cápsula.
 
Abaixando o microfone e apontando para cima, você terá uma tonalidade um pouco mais brilhante. Ao levantar o microfone e apontá-lo para baixo, você terá um tom mais profundo. É importante experimentar várias posições diferentes e encontrar o melhor posicionamento até ficar feliz com o som.
 

Apenas pressione o REC

Depois de encontrar o melhor posicionamento, é hora de definir seus níveis. Vá até a passagem mais forte da música e peça ao vocalista que cante, gire lentamente o ganho no seu pré-amplificador. O mais seguro é manter seus níveis no verde e deixar somente os picos chegarem até o amarelo. Fique fora do vermelho! Saturar seu pré-amplificador pode causar distorções indesejadas.
 
A maioria dos vocalistas sente-se bastante desconfortável no estúdio. Afinal de contas, é estranho só poder se ouvir através do fone de ouvido. Alguns vocalistas preferem deixar um ouvido sem o phone para ouvir o som de sua voz na sala, o que é uma ótima idéia e faz a percepção auditiva parecer mais natural.
 
Outra idéia bacana é recriar esse efeito de sala adicionando um reverb. Mas lembre-se, não grave a voz com o Reverb, use apenas para fazer o cantor se sentir mais a vontade. O Reverb ajuda a simular um ambiente mais natural.
 

Dicas e truques simples (MUUUUAHAHAHAHA minha risada malígna)

Muitos vocalistas ficam nervosos momentos antes de começar a gravar. Depois de definir os níveis, diga ao artista que você vai “dar uma passada na música só pra fazer um teste”. Diga-lhes que você não vai gravar. Só que Isso é mentira :). Ao dizer ao vocalista que você não vai gravar, você diminui suas inibições. Eles perdem o medo de errar e podem ser mais criativos.
 
Muitos engenheiros e produtores acham que tem uma certa mágica que acontece nos primeiros “takes”, e tudo depois é “ladeira abaixo”. Vocalistas tendem a analisar demais a sua performance. Lembre-se, é seu trabalho mantê-los fora de suas próprias cabeças.
 
Faça dois ou três “takes” completos para que você possa selecionar os melhores trechos de cada um. Isso chama “Comping”. Comping é o processo de selecionar as melhores partes de múltiplos “takes” e assim como “Frankenstein” juntar esses melhores momentos para criar um único “take” perfeito.
 
Neste ponto, você deve ter uma gravação vocal bem boa para sua música.
 
Se você tiver dúvidas sobre como gravar sua voz, nossa equipe está sempre disponível para respondê-las. Sinta-se à vontade para entrar em contato com os nossos técnicos e consultores de áudio.

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